Vejamos o que escreve Eduardo Giannetti nesse trecho de Trópicos utópicos para que depois possamos comentar: " Nada em excesso. – A inscrição no templo de Apolo em Delfos, centro religioso e geográfico do mundo grego, abriga uma peculiar instabilidade lógica. Submeta o 'nada em excesso' à sua própria imagem no espelho: a injunção moduladora do princípio da moderação também se aplica reflexivamente a si mesma? É possível exceder-se e ir longe demais no intento de nunca ir demasiado longe; de nunca ultrapassar a certa e sóbria medida? É possível, enfim, pecar por excesso de moderação? Ao mirar-se no espelho, a força moduladora do preceito délfico se vê compelida a baixar o tom e moderar a si mesma: nada em excesso , inclusive na moderação. – Mas isso não é tudo. Ao argumento lógico podemos acrescentar um complemento ético. Como saber até onde ir ? Como descobrir a justa medida? Se nunca testarmos os limites, jamais teremos condições de determiná-los, visto que só aquel...
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