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Mostrando postagens com o rótulo Autoritarismo

Democracia na contemporaneidade: as nossas liberdades em perigo

Se por um lado, é na contemporaneidade que a democracia se tornou o regime político predominante no mundo, por outro, nessa mesma época os limites da democracia passaram a ser testados de uma forma perigosa. O curioso desse processo é que os instrumentos de liberdade conquistados graças ao regime democrático pleno vêm sendo utilizados para sabotar a própria democracia. Nesse sentido, buscarei apontar ao longo desta dissertação como a liberdade religiosa, a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa estão sendo subvertidas no mundo democrático contemporâneo e, mais especificamente, no Brasil. Ao final, buscarei traçar alguns caminhos possíveis para o enfrentamento desse enorme problema.  Inicialmente, no que se refere a liberdade de culto religioso, sabemos que essa grande conquista da democracia permite o convívio de inúmeras denominações religiosas. Entretanto, atualmente essa conquista está sendo colocada em risco por algumas religiões majoritárias que ocupam os espaços de ...

Manifestações populares e AI-5: paranoia ou desejo incontido

O núcleo duro do governo Bolsonaro é formado por pessoas com claras inclinações autoritárias. Pouco afeitos as regras democráticas e as suas instituições, o presidente, seus filhos, a ala olavista e até os liberais da economia estão sempre produzindo falas e ações que põe em dúvida a democracia como um valor máximo. Nas últimas semanas foi a vez do filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, afirmar que, se a esquerda radicalizar, será preciso recorrer a instrumentos como o AI-5. O Ato Institucional mais duro e repressor da ditadura civil-militar também foi parar na boca do ministro da Economia Paulo Guedes, fazendo com que a sociedade se confrontasse novamente com o fantasma da ditadura.  Mas, afinal, o que leva membros do governo a citar constantemente mecanismos autoritários como o AI-5? Seria uma paranoia generalizada do governo, que se vê cercado diariamente por inimigos ameaçando tomar o poder? Ou seria um desejo incontido de, citando manifestações populares vio...

Cabo de guerra: romance de Ivone Benedetti reflete sobre a ditadura no Brasil

Doutora pela USP e tradutora reconhecida, Ivone Benedetti estreou na literatura com o romance Immaculada (2009) e com o livro de contos Tenho um cavalo alfaraz (2011). Agora, ela volta à cena literária com Cabo de guerra (2016), romance que tematiza a ditadura civil-militar brasileira. De modo crítico e realista, ela se propõe a rememorar o passado e discutir as marcas deixadas por ele e ainda presentes no Brasil atual. A narrativa conta a história de um sem-nome que não tem opinião própria nem destino definido. Ele narra sua própria história no transcorrer de três dias, os quais dividem o romance: no primeiro dia, a rememoração dedica-se prioritariamente a tratar da chegada do protagonista em São Paulo e das amizades que ele estabele com jovens de esquerda; já no segundo dia, a maior parte das lembranças é de sua atuação como infiltrado, levando informações para os militares; e no terceiro dia, por fim, o foco maior é em destacar a tentativa fracassada de reconstituir a sua ...