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Mostrando postagens com o rótulo Arte

Da vida à literatura: breve reflexão sobre um dilema que cerca o escritor

Ficção autobiográfica sempre existiu. São incontáveis os escritores que se utilizaram de experiências pessoais para elaborar suas histórias. Nos últimos anos, exacerbou-se essa tendência, tendo inclusive ganhado nome próprio: autoficção. O conceito é polêmico, alvo de muitas teorizações. Mas, de modo geral, trata-se do escritor que usa episódios de sua vida para criar uma obra literária. Ainda que tenha variados graus de fidelidade factual, a identidade entre autor, narrador e personagem quase sempre pode ser observada. Dizem que essa ficção sobre si próprio é sintoma do egocentrismo contemporâneo. É uma possibilidade. Porém, tendo a crer que os escritores atuais estão falando mais sobre si porque aparentemente só é possível escrever com profundidade sobre coisas que vivemos de perto. Pessoalmente, penso nisso quando estou envolto nos meus pequenos desejos de escrever. Quando tento escrever algo realmente significativo surge um dilema em forma de pergunta. É possível escrever algo real...

O Lula de Gabriela Biló: uma apreciação sobre as múltiplas interpretações

Curiosa a capacidade do Twitter em pautar o debate público brasileiro. Apesar de ser uma rede social menor que o Facebook, o Instagram e o WhatsApp, o Twitter concentra boa parte da massa opinativa do país (políticos, jornalistas, artistas, ativistas, etc). Com isso, quase que diariamente surgem discussões das mais diversas nesse palco virtual. Seguindo a tendência dos tempos líquidos em que vivemos, esses debates tem o poder de mobilizar a atenção durante dois ou três dias no máximo, sendo logo substituídos por um novo tema polêmico. Porém, o pouco tempo não impede que os debates sejam acalorados e até mesmo extremados. Pelo contrário, a necessidade urgente de abordar o tópico antes que ele não seja mais relevante é um incentivo para simplificações, acusações e trocas de insultos. Essa contextualização inicial é apenas para que os não iniciados no Twitter compreendam o ambiente pouco aprazível no qual ocorreu o mais recente debate. Tudo começou com a escolha de uma fotografia da Gabri...

Tribunal Superior Eleitoral: o julgamento e a arte

O ministro Gilmar Mendes, ao votar pela absolvição da chapa Dilma-Temer em 2017, lembrou Américo Pisca-Pisca, personagem de Monteiro Lobato em O reformador do mundo . Américo tinha por hábito colocar defeito nas coisas, queria transformar o mundo conforme entendia ser necessário. Entretanto, quando percebe por meio de um sonho que as mudanças que deseja podem levá-lo a um final negativo, ele decide ser melhor que “Fique tudo como está, que está tudo muito bem”. Assim, para Gilmar não se pode mudar as “leis naturais” da política, pois se corre o risco de que as coisas fiquem piores do que estão. Ele adota uma posição conservadora, se negando a reformar o mundo e escolhendo por mantê-lo exatamente como está. O que ele espera é que adotemos a visão de que as atuais regras políticas foram criadas por certa mente superior a quem não nos cabe se opor. Em contraponto, a ministra Rosa Weber, ao votar pela cassação da chapa, prefere a canção de Torquato Neto, interpretada pela voz de Elis Regi...