Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Saudades

Necessitamos ter saudade: uma breve reflexão

A distância tem uma estranha capacidade de divinizar as pessoas, de tornar heróico seus atos. Em contraponto, a proximidade nos leva a humanizar as pessoas, a enxergar seus defeitos mais de perto.  É como se fosse um rosto: de longe, ele nos parece perfeito e belo, mas a medida que nos aproximamos podemos enxergar suas cicatrizes e rugas.  É da experiência que retiro esta constatação. Algumas pessoas com as quais convivi, a medida que o tempo passou, acabei esquecendo seus defeitos e deixando que a saudade idealizasse suas qualidades. Aliás, não é por outro motivo que tanto elogiamos aqueles que já se foram... Guardamos somente o que nos interessa.  Por isso, quero postular aqui uma teoria que muito me assiste: estar perto de quem amamos nem sempre é bom, às vezes precisamos nos afastar para ver melhor o contexto que nos cerca.  Quando ficamos muito próximos, acabamos não valorizando as pessoas porque tudo nos parece fácil demais. Somente quando nos colocamos a certa...

Elogio à infância: reflexão antiga

Bom mesmo era o tempo em que os Teletubbies tinham graça. Em que eu corria na chuva sem medo de raio ou resfriado. Em que a nudez era natural e aceitável. Em que eu não precisava me preocupar com calendário, calculadora e dinheiro. Não existiam compromissos, exceto com a diversão. Eu não precisava ficar marcando o tempo, contando os dias para as férias e aos poucos me acostumando a moldar minhas ações de acordo com as expectativas dos outros. Bom mesmo era o tempo em que tudo era pureza, não havia ambição, falsidade ou inveja. Em que pensamentos impuros não perturbavam minha mente. Em que eu brincava, brigava, mas já no outro dia fazia as pazes. Em que a minha imaginação me levava sempre ao lugar certo. Em que eu não precisava ficar projetando meu futuro, mas apenas vivenciando intensamente meu presente. Mas bom mesmo era se um dia tudo isso voltasse, acho que aproveitaria mais por saber que teria fim, pois na minha infância eu não pensava no fim. Hoje sei que a infância não...