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Kapgang: drama dinamarquês reflete sobre o amadurecimento diante da morte

Tenho um interesse muito especial por filmes que tratam do processo de amadurecimento experienciado por todos nós ainda nos primeiros anos de vida, os chamados coming of age . Por isso, foi com grande alegria que descobri recentemente Kapgang (Marcha Atlética, 2014), uma pequena joia cinematográfica escondida entre as listas infindáveis feitas por cinéfilos. Esse filme me lembrou bastante Du er Ikke Alene (1978), outra produção dinamarquesa que aborda a infância e a juventude a partir de uma perspectiva profundamente emotiva e realista. Inicialmente, é preciso dizer que o filme dinamarquês Kapgang é baseado num romance autobiográfico publicado em 2011 por Morten Kirkskov. Tive a curiosidade de pesquisar sobre o livro e, aparentemente, ele não recebeu traduções para outros países. Isso é realmente uma pena, pois penso que essa história merece ser contada em diversos idiomas e conhecida por um público maior. Em relação ao filme, logo no seu início, vemos o pequeno Martin (Villads Boye)...

Utopia: conhecendo as palavras e o mundo

Descobrir o sentido de uma palavra é descobrir um mundo. Essa frase, em que pese o seu artificioso efeito, não deixa de ser verdadeira. Lembro que a palavra que melhor me fez descobrir o mundo foi "utopia". A primeira vez que ouvi falar de utopia foi num livro didático. O autor explicava que certo romance era utópico . Fui em busca da palavra e descobri que utopia é um sonho irrealizável, um estado de completa felicidade, uma quimera. Foi então que me veio a frustração, pois imaginei um mundo belo e perfeito, mas percebi que era impossível de construí-lo, uma vez que nosso mundo é naturalmente caótico. Mesmo assim, atualmente, ainda se fala muito em utopia. Diz-se que ela não é tão impossível de ser construída, que cada um de nós podemos viver nossa própria utopia. Isso deve ser verdade, pois - se a palavra utopia tem sua acepção mudada com o tempo - é porque o seu sentido é construído por cada um de nós, a cada momento.

Crônica da pandemia: A incerteza presente e o futuro sonhado

Tá, eu confesso! Nos primeiros dias após a decretação da quarentena imaginei que seria algo rápido e muito provisório. No máximo em algumas semanas, talvez um ou dois meses, tudo estaria resolvido e voltaríamos ao nosso cotidiano habitual. No entanto, eu não poderia estar mais enganado. A pandemia persiste no Brasil após quase 10 meses, o risco de um segunda onda é real e as perspectivas em torno da sonhada vacina ainda são incertas. Ao longo desse período pandêmico, a medida que fui entendo a gravidade do problema e as incertezas quanto ao futuro, busquei me adaptar a essa nova realidade e seguir em frente dentro do possível.  Porém, a bem da verdade, não sou o tipo de pessoa que consegue sempre encontrar um lado positivo nos momentos de dificuldade. Por mais que tenhamos aprendido novas habilidades, conhecido formas inovadoras de estudar e ficado mais tempo em casa com nossas famílias, estamos ainda assim vivendo um ano extremamente trágico. De acordo com os subnotificados número...

Fanfic sobre Deixa Ela Entrar: capítulo A necessidade

Sinopse: Algumas coisas precisam ser ditas. A primeira delas é que Eli e Oskar são dois adolescentes e se amam. A segunda é que Eli é uma vampira e por isso precisa de sangue para sobreviver. Por último, ainda é preciso contar que Oskar fugiu de casa e agora acompanha Eli, ajudando-a a sobreviver. Essa história, portanto, versa sobre a vida dos dois adolescentes e discute até que ponto nós podemos ir para salvar a vida daqueles que amamos. Não sei se posso dizer que Oskar e Eli são namorados. O que sei é que eles são bem mais que amigos. Você deve estar se perguntando como um humano pode nutrir sentimentos por uma vampira. Bem, há pouco tempo Oskar vivia muito sozinho, sofria perseguições na escola e se sentia dividido entre o pai e a mãe que são separados. Até que um dia Eli veio morar num apartamento próximo ao de Oskar. A empatia foi grande entre os dois, começaram a se ver entre a neve e o frio do pátio. Algo mágico delineou-se entre eles.  Com o tempo, Oskar foi descobrindo qu...

Educação com saúde: os professores não irão trabalhar colocando vidas em risco

Nas últimas semanas, muitas pessoas comuns e até mesmo veículos de mídia têm afirmado que os professores não querem retornar as aulas presenciais porque o ensino remoto permite que eles recebam seus salários sem trabalhar. Essa visão, ancorada na desinformação e no preconceito, é completamente equivocada, uma vez que ignora algumas questões básicas.  Em primeiro lugar, o ensino remoto não é sinônimo de menos trabalho para os professores. Pelo contrário, desde que começou a pandemia do Coronavírus os professores precisaram se adaptar a essa nova realidade, sendo que o trabalho deles aumentou sensivelmente. Agora, mesmo estando em casa, eles precisam organizar planos de aula e atividades específicas para o contexto de ensino virtual. Além disso, muitos deles precisaram comprar materiais de informática e aumentar a velocidade de suas internets residenciais para conseguir dar conta das demandas geradas pelas aulas online. Somado a isso, vemos que muitos professores ampliaram suas jorna...

Eu, a leitura e a escrita: meus encontros com a ficção

Como venho de uma família humilde e com poucas condições financeiras, o meu acesso a leitura ocorreu tardiamente. Lembro que os meus familiares, especialmente a minha mãe e a minha avó, sempre me incentivaram a estudar. Por isso, mesmo não tendo quase nenhuma formação escolar, elas tiveram a preocupação de me colocar na escola o mais cedo possível. Porém, como não havia livros na minha casa, a leitura nos meus primeiros anos se resumiu aos textos que os professores disponibilizavam por meio de cópias no quadro-negro. Somente na quarta série do Ensino Fundamental foi que ocorreu o meu primeiro encontro mais significativo com a leitura. Lembro-me bem do dia no qual a escola entregou para cada aluno uma coleção com cinco livros de diferentes gêneros (conto, poesia, novela, peça teatral e clássico adaptado). Mesmo tendo passado tantos anos, também me recordo de ter recebido essa coleção numa pequena caixa e de ter ficado extremamente animado com a possibilidade de ler tantas obras interess...

Necessitamos ter saudade: uma breve reflexão

A distância tem uma estranha capacidade de divinizar as pessoas, de tornar heróico seus atos. Em contraponto, a proximidade nos leva a humanizar as pessoas, a enxergar seus defeitos mais de perto.  É como se fosse um rosto: de longe, ele nos parece perfeito e belo, mas a medida que nos aproximamos podemos enxergar suas cicatrizes e rugas.  É da experiência que retiro esta constatação. Algumas pessoas com as quais convivi, a medida que o tempo passou, acabei esquecendo seus defeitos e deixando que a saudade idealizasse suas qualidades. Aliás, não é por outro motivo que tanto elogiamos aqueles que já se foram... Guardamos somente o que nos interessa.  Por isso, quero postular aqui uma teoria que muito me assiste: estar perto de quem amamos nem sempre é bom, às vezes precisamos nos afastar para ver melhor o contexto que nos cerca.  Quando ficamos muito próximos, acabamos não valorizando as pessoas porque tudo nos parece fácil demais. Somente quando nos colocamos a certa...